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    Racionais MC's / Lyrics

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    "Homem Na Estrada" Lyrics

    Racionais MC's

    Album:
    Genre:
    Duration:00:08:39
    Rank: (−)
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    Lyrics

    Um homen na estrada recomeça sua vida
    Sua finalidade a sua liberdade
    Que foi perdida, subtraída
    E quer provar a si mesmo que realmente mudou
    Que se recuperou e quer viver em paz
    Não olhar para trás
    Dizer ao crime: nunca mais!
    Pois sua infância não foi um mar de rosas, não

    Na febem, lembranças dolorosas, então
    Sim, ganhar dinheiro, ficar rico, enfim
    Muitos morreram sim, sonhando alto assim
    Me digam quem é feliz
    Quem não se desespera vendo
    Nascer seu filho no berço da miséria
    Um lugar onde só tinham como atração
    O bar, e o candomblé pra se tomar a benção
    Esse é o palco da história que por mim será contada
    Um homem na estrada

    Equilibrado num barranco incômodo
    Mal acabado e sujo, porém
    Seu único lar, seu bem e seu refúgio
    Um cheiro horrível de esgoto no quintal
    Por cima ou por baixo, se chover será fatal
    Um pedaço do inferno, aqui é onde eu estou
    Até o ibge passou aqui e nunca mais voltou
    Numerou os barracos, fez uma pá de perguntas
    Logo depois esqueceram, filhos da puta
    Acharam uma mina morta e estuprada
    Seviam estar com muita raiva
    Mano, quanta paulada!
    Estava irreconhecível, o rosto desfigurado

    Deu meia noite e o corpo ainda estava lá
    Coberto com lençol, ressecado pelo sol, jogado
    O iml estava só dez horas atrasado
    Sim, ganhar dinheiro, ficar rico, enfim
    Quero que meu filho nem se lembre daqui
    Tenha uma vida segura.
    Não quero que ele cresça com um "oitão"
    Na cintura e uma "pt" na cabeça
    E o resto da madrugada sem dormir
    Ele pensa o que fazer para sair dessa situação

    Desempregado então
    Com má reputação
    Viveu na detenção
    Ninguém confia não
    E a vida desse homem para sempre foi danificada
    Um homem na estrada
    Um homem na estrada

    Amanhece mais um dia e tudo é exatamente igual
    Calor insuportável, 28 graus
    Faltou água, ja é rotina, monotonia
    Não tem prazo pra voltar, hã! já fazem cinco dias
    São dez horas, a rua está agitada
    Uma ambulância foi chamada com extrema urgência
    Loucura, violência exagerada
    Estourou a própria mãe, estava embriagado
    Mas bem antes da ressaca ele foi julgado
    Arrastado pela rua o pobre do elemento
    O inevitável linchamento, imaginem só!
    Ele ficou bem feio, não tiveram dó
    Os ricos fazem campanha contra as drogas
    E falam sobre o poder destrutivo delas
    Por outro lado promovem e ganham muito
    Dinheiro com o álcool que é vendido na favela

    Empapuçado ele sai, vai dar um rolê
    Não acredita no que vê, não daquela maneira
    Crianças, gatos, cachorros disputam palmo a palmo
    Seu café da manhã na lateral da feira
    Molecada sem futuro, eu já consigo ver
    Só vão na escola pra comer, apenas nada mais
    Como é que vão aprender sem incentivo de alguém
    Sem orgulho e sem respeito
    Sem saúde e sem paz
    Um mano meu tava ganhando um dinheiro
    Tinha comprado um carro, até rolex tinha!
    Foi fuzilado a queima roupa no colégio

    Sbastecendo a playboyzada de farinha
    Ficou famoso, virou notícia, rendeu dinheiro aos jornais
    Hu!, cartaz à policia
    Vinte anos de idade, alcançou os primeiros
    Lugares superstar do notícias populares!
    Uma semana depois chegou o crack
    Gente rica por trás, diretoria
    Aqui, periferia, miséria de sobra

    Um salário por dia garante a mão-de-obra
    A clientela tem grana e compra bem
    Tudo em casa, costa quente de sócio
    A playboyzada muito louca até os ossos
    Vender droga por aqui, grande negócio
    Sim, ganhar dinheiro ficar rico enfim
    Quero um futuro melhor, não quero morrer assim
    Num necrotério qualquer, como indigente
    Sem nome e sem nada
    O homem na estrada

    Assaltos na redondeza levantaram suspeitas
    Logo acusaram a favela para variar
    E o boato que corre é que esse homem está
    Com o seu nome lá na lista dos suspeitos
    Pregada na parede do bar

    A noite chega e o clima estranho no ar
    E ele sem desconfiar de nada, vai dormir tranquilamente
    Mas na calada, caguetaram seus antecedentes
    Como se fosse uma doença incurável
    No seu braço a tatuagem: dvc, uma passagem, 157 na lei
    No seu lado não tem mais ninguém

    A justiça criminal é implacável
    Tiram sua liberdade, família e moral
    Mesmo longe do sistema carcerário
    Te chamarão para sempre de ex presidiário
    Não confio na polícia, raça do caralho
    Se eles me acham baleado na calçada
    Chutam minha cara e cospem em mim é
    Eu sangraria até a morte já era, um abraço!
    Por isso a minha segurança eu mesmo faço

    É madrugada, parece estar tudo normal
    Mas esse homem desperta, pressentindo o mal
    Muito cachorro latindo
    Ele acorda ouvindo barulho de carro e passos no quintal
    A vizinhança está calada e insegura
    Premeditando o final que já conhecem bem
    Na madrugada da favela não existem leis
    Talvez a lei do silêncio, a lei do cão talvez
    Vão invadir o seu barraco, "é a polícia"!
    Vieram pra arregaçar, cheios de ódio e malícia
    Filhos da puta, comedores de carniça!

    Já deram minha sentença e eu nem tava na "treta"
    Não são poucos e já vieram muito loucos
    Matar na crocodilagem, não vão perder viagem
    Quinze caras lá fora, diversos calibres
    E eu apenas com uma "treze tiros" automática
    Sou eu mesmo e eu, meu deus e o meu orixá
    No primeiro barulho, eu vou atirar
    Se eles me pegam, meu filho fica sem ninguém
    É o que eles querem: mais um "pretinho" na febem
    Sim, ganhar dinheiro ficar rico enfim
    A gente sonha a vida inteira e só acorda no fim
    Minha verdade foi outra
    Não dá mais tempo pra nada bang! bang! bang!

    Homem mulato aparentando entre vinte e cinco e trinta
    anos é encontrado morto na estrada do m'boi mirim sem número
    Tudo indica ter sido acerto de contas entre quadrilhas rivais
    Segundo a polícia, a vitíma tinha "vasta ficha criminal
    This song was submitted on November 15th, 2013 and last modified on October 18th, 2016.
    Copyright with Lyrics © Sony/ATV Music Publishing LLC.
    Written by Carlinhos Brown.
    Lyrics licensed by LyricFind.

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